top of page

Sejamos todas contra a "produtividade"

  • 16 de set. de 2019
  • 4 min de leitura

Atualizado: 18 de jan. de 2021

Quando foi a última vez que você ficou sem fazer nada, como esse monge aqui embaixo?


monge-ocioso
Photo by Pixabay from Pexels

Se lembra como é o tédio?


Você separa 30 minutos diários para pensar em coisas malucas? Sem celular, televisão, ou livro. Só pensamentos. Isso é luxo pra você?


Temos que estar ocupadas e ocupados o tempo inteiro, imersos no que chamamos de produtividade - ou melhor, busyness. Produtividade é a palavra do momento, significando "fazermos o máximo em menos tempo com mais eficácia". O problema é que geralmente temos uma ilusão de produtividade, representada por tarefas simples e rasas como responder emails, participar de reuniões, preencher planilhas, etc.


Estar ocupado o tempo todo sendo "produtivo" é o padrão: o must-have dos bem-sucedidos. O sucesso não é mais relativo - se é que já foi algum dia. Ser feliz é ter um emprego "seguro" e trabalhar incansavelmente para se ter um futuro sossegado, para não sofrer com os imprevistos da vida, para não dependermos financeiramente do outro, que trabalhou o suficiente enquanto nós estávamos nos divertindo.


Será que não há um equilíbrio entre ser feliz agora e pensar na felicidade futura? Será que a vida é mesmo essa busca incansável pela felicidade que está próxima, mas que nunca chega? Por que não podemos ser felizes hoje?


Estamos sempre pensando em nossa carreira, preocupados com nossos estudos, sofrendo por antecipação, temendo pelo julgamento alheio, e, por isso, nos submetendo diariamente a tarefas que não queremos fazer e a pessoas a quem não queremos nos submeter.


Greg McKeown, autor do livro Essencialismo, é um cara foda.


O livro traz inúmeros exemplos reais de situações comuns no ambiente corporativo - empresas que gastam mais tempo em reuniões do que em ações, empregados que são submetidos a atividades monótonas e desestimulantes, a falta de foco de muitas empresas, que querem agradar a todos, mas acabam agradando a ninguém.


Ele também fala sobre pessoas que trabalham 10 horas por dia, mas só rendem 5; sobre pessoas que saem do trabalho mas não se desconectam. Que estão a todo tempo checando emails, que dizem não "ter tempo" para a família ou amigos, e nem mesmo tempo para coisas vitais como dormir bem, se exercitar, ou comer de forma saudável.


O pensamento de McKeown é perfeito para reavaliarmos a nossa vida profissional, mas indispensável para pensarmos em relação às nossas conexões pessoais, à nossa educação, às coisas mais importantes da vida, no geral.


Essencialismo é o estilo de vida que permite ao essencialista buscar e escolher somente o que é essencial - consequentemente eliminando tudo o que é acúmulo desnecessário. É como o minimalismo, mas enquanto o minimalismo tem como foco eliminar coisas negativas, o essencialismo tem como foco manter somente o essencial - o que para mim dá na mesma.


suculenta
Photo by Ylanite Koppens from StockSnap.io

Na leitura do livro de McKeown, levei um tapa na cara. Ele praticamente me afirmou que tudo o que eu sonhava quando adolescente não deve ser sonhado. Eu sempre quis aprender de tudo um pouco. Ser boa em muitas coisas ao mesmo tempo.


Isso é bom até certo ponto, mas eventualmente cheguei à conclusão: ninguém pode saber sobre tudo, e, se souber, será o mínimo de cada coisa. No fim, será exaustivo.


Ele simboliza essa dicotomia em um desenho extremamente simples, mas que me fez enxergar tudo o que antes não via:


foco-energia
Desenho presente no livro "Essencialismo"

Com essa imagem, McKeown nos mostra a importância de se estabelecer a prioridade.



Sempre pensei que cada um escolhe as suas prioridades. O interessante é que a palavra "prioridade" não faz o menor sentido se for plurarizada.


Prioridade tem como tem como radical latino original prior (anterior, primeiro). Não podemos ter cinco, três, e nem mesmo duas primeiras-coisas, né não?


É preciso estabelecer uma ordem de importância para tudo, se quisermos ter uma vida pautada no que realmente importa para crescermos. Como pessoas, amigos, e profisionais. Se formos uma empresa, podemos ter uma meta guarda-chuva - mas que dentro dessa meta tenhamos o objetivo número 1, o número 2, o número 3, e assim sucessivamente. E o quão mais detalhados, melhor.


O problema é que nós, não-essencialistas, não sabemos decidir. Após a leitura do livro, fiquei sem saber pra onde ir, com tantas opções disponíveis. Como podemos encontrar de tudo na internet, pesquisei "como fazer escolhas difíceis" e encontrei uma palestra da filósofa Ruth Chang. Chang defende que escolhas difíceis são necessárias e devem ser bem recebidas, pois são a maneira de exercermos o livre-arbítrio.

O que mais me encantou foi quando ela disse que, quando não escolhemos, o mundo escolhe por nós. Assim sendo, não estaremos vivendo a nossa vida, e sim deixando ela nos levar passivamente.


O ensinamento-mestre que levarei nessa jornada pelo essencialismo é uma frase de McKeown que sei que irá ecoar em inúmeros momentos de minha vida.


"Se não estabelecermos prioridades, alguém fará isso por nós".

Ainda me considero não-essencialista pois, apesar de entender o que é o essencialismo, não coloquei a filosofia em prática até alcançar um objetivo traçado. Estou traçando o meu primeiro, pois estabeleci a minha prioridade depois da leitura de "Essencialismo": quero terminar a minha segunda graduação e iniciar uma pós-graduação. O meu objetivo é claro? Ainda não.


Preciso dissecar: quero iniciar o meu mestrado em tal universidade, em certa linha de pesquisa, com tal orientadora, após tal seleção. Para isso preciso estudar tantos dias por semana, tantas horas por dia e escrever um anteprojeto com tal temática.


Parece exaustivo, mas quanto mais trabalho nos dermos ao definirmos o objetivo, mais fácil será concluí-lo.


Por fim, agradeço ao senhor McKeown de todo o coração, por me ajudar a tomar as rédeas de minha vida.


 
 
 

Comentários


RECEBA MINHAS PUBLICAÇÕES NO SEU EMAIL

© 2023

bottom of page